Fariña: a história do narcotráfico galego

Do contrabando de tabaco ao tráfico de droga, «Fariña» tem como protagonista uma Galiza em transformação, nas décadas de 80 e 90. A série é emitida pelo AMC Portugal, a partir de hoje às 22h10.

Fariña

Inspirada no livro de Nacho Carretero, a série «Fariña» revela a expansão do narcotráfico na Galiza, um lugar frágil economicamente e com uma posição geográfica estratégica. Tudo começa em 1981, altura em que o contrabando do tabaco permitia que um grupo de homens controlasse a zona através da força e do dinheiro. E que muitas camadas mais pobres da sociedade, como os pescadores, sobrevivessem. No entanto, e com uma ambição cada vez forte, a atração das drogas é quase uma inevitabilidade.

Mas, no meio deste jogo de poder, onde fica o cidadão comum? Está ao seu alcance uma “fatia” deste bolo chorudo? Qual o preço a pagar pelo choque com estes titãs do contrabando?

Fariña

Com o exemplo de Pablo Escobar, Sito Miñanco (Javier Rey) é atraído para a criação de uma rota entre a Galiza e o Panamá, de forma a comercializar cocaína. Os valores são muito mais elevados do que o do contrabando, historicamente ligado a Portugal, e, como tal, é uma questão de tempo até o narcotráfico suplantar o negócio do tabaco.

Depois de uma ascensão rápida, Sito tem a oportunidade de mudar, para sempre, a vida dos galegos. Além de criar uma porta primordial para a entrada de droga na Europa.

Corrupção, traição, guerra pelo poder e famílias destruídas: são muitos os temas que se misturam em «Fariña», ao bom estilo de outras apostas como «Narcos» e «El Chapo». Há ação, drama, romance e até algum mistério, sem descurar na atenção ao detalhe na criação da Galiza de outros tempos, que tem por base a “Operação Nécora”. Esta desvendou uma conspiração de anos, cujos tentáculos ainda encontram ligação aos dias de hoje.

Fariña

A abordagem, com inspiração factual, da narrativa dá destaque a alguns momentos cruciais da vida galega, como a anuência das autoridades ao contrabando, o recurso à violência e a grande diferença entre os que sobrevivem e os que exploram. Também os diálogos são maioritariamente “sérios”, com a inclusão de informação útil para perceber ainda melhor o contexto da época. Uma minissérie com preocupação concetual e histórica, que mostra uma Galiza que nem todos conhecem.

O elenco conta ainda com Tristán Ulloa, Antonio Durán ‘Morris’, Manuel Lourenzo, Isabel Naveira, Eva Fernández e Monti Castiñeiras, entre outros.

 

Texto originalmente publicado aqui

 

 

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