The One: a felicidade gravada no nosso ADN

A Netflix estreia sexta-feira, 12, a série «The One», baseada no livro publicado por John Marrs em 2014. Albano Jerónimo e Miguel Amorim destacam-se no elenco e até falam em português entre si. Descobre a minha opinião sobre a série.

The One

Num futuro, mais próximo do que pensamos, é possível encontrar a alma gémea recorrendo ao ADN. A história desenvolvida em livro por John Marrs passa do papel para o ecrã, com Hannah Ware (Boss, The First) a assumir o protagonismo da narrativa, como a questionável CEO da empresa The One. O negócio tecnológico levou-a à riqueza, graças à promessa do romance de conto de fadas, mas nem tudo é um mar de rosas: logo a abrir a trama, é encontrado um cadáver no fundo no rio… e as ligações a Rebecca (Hannah Ware) são demasiado perigosas.

Antes de mais, é inevitável relembrar a série «Soulmates», que partia de um pressuposto idêntico, relacionado com a “partícula da alma”, e que, em cada episódio, abordava um caso isolado. À data de estreia, as atenções direcionaram-se para os criadores da série, questionando as parecenças com a obra de Marrs. Em termos práticos, o pressuposto base da narrativa é aproximado (o reconhecimento “físico” do amor), mas a perspetiva é diferente: «The One» mostra o lado corporativo da narrativa, indo ao encontro dos interesses que se escondem por detrás desta aparente salvação e, consequentemente, tem maior profundidade e vai mais além.

The One

A nova aposta da Netflix condensa várias storylines, colocando o espectador a par de diferentes intervenientes que, de uma forma ou outra, têm ligação a The One e a Rebecca. Por um lado, James (Dimitri Leonidas) é o grande responsável pela ideia, mas a ação demora a “encontrá-lo”, uma vez que ele se encontra afastado do projeto. Mark (Eric Kofi-Abrefa) é um jornalista, cuja mulher (Lois Chimimba) se mostra bastante insegura com a ameaça de uma aplicação que pode destruir o seu casamento. Já Kate (Zoë Tapper) é uma das detetives responsáveis pelo caso de Ben (Amir El-Masry), e lida com as repercussões do match com uma mulher espanhola.

Ao contrário do que seria expectável, é muito difícil empatizar com a protagonista. Além do seu comportamento questionável, Hannah Ware não consegue criar uma personagem suficientemente forte para segurar a narrativa. Embora melhore ao longo da ação, a verdade é que a sua Rebecca, em termos televisivos, não tem a força de outros “vilões” que assumiram a linha da frente das suas histórias. Vale, ainda assim, pelo facto de estarmos perante uma narrativa sólida e envolvida em mistério, que tem a capacidade de nos cativar até sabermos todas as respostas.

Além disso, o lado tecnológico, mais uma vez, é um ingrediente irresistível para explorar o comportamento e os relacionamentos humanos.

The One

O português Albano Jerónimo dá a vida a Matheus e Miguel Amorim ao seu irmão Fábio. A dupla é presença assídua ao longo da temporada e fala rotineiramente em português, inclusivamente com linguagem mais “brejeira”. Isso atribui autenticidade às personagens, assim como acontece com Sophia (Jana Pérez) e a sua família, que comunicam em espanhol.

Entre o poder revolucionário da ciência e a existência de um amor único e inigualável, «The One» releva-se como uma teia menos óbvia do que aparenta. A tecnologia é uma forma de denunciar, uma vez mais, até onde o ser humano é capaz de ir para atingir os seus objetivos; assim como o que é capaz de fazer contra os seus pares para ser bem-sucedido. Uma série que testa os limites das relações, da tecnologia e das suas personagens. Será que o amor vence mesmo tudo, ou é uma falsa solução que apenas traz novos problemas?

A série é uma criação de Howard Overman, o homem por detrás de séries como «Misfits» e «Future Man».

 

Texto originalmente publicado aqui

 

 

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