Pride: documentário mostra luta LGBTQ+ nos EUA

Tive acesso antecipado, pela Metropolis, à série documental «Pride», que está disponível a partir de hoje no Disney+. O documentário, de seis episódios, ilustra a luta (por década) pelos direitos LGBTQ+.

Pride

Da década de 50 aos anos 2000: é esta a viagem proposta pela série documental «Pride», na qual seis cineastas relatam, por episódio e por década, a difícil luta pelos direitos LGBTQ+, bem como a perseguição levada a cabo pelas principais autoridades dos Estados Unidos. Da perseguição à exposição e humilhação pública, passando pela limitação de direitos individuais e familiares, são muitas as áreas abrangidas por «Pride», que surge no mês mais simbólico para a causa.

Com histórias na primeira pessoa ou partilhadas por familiares e amigos, é possível perceber de que forma os norte-americanos LGBTQ+, em particular, foram melindrados, condicionados e castigados pela sua vida sexual. «Pride» aborda, por exemplo, a perseguição do FBI aos homossexuais durante a Lavender Scare, nos anos 50, até aos conflitos culturais da década de 90, explorando o legado queer do Movimento dos Direitos das Pessoas e a batalha pela igualdade no casamento.

Pride

Numa altura em que polémicas como a da Hungria e a “censura” da UEFA por considerar os direitos LGBTQ+ uma questão política, e por isso sem lugar no Euro 2020, «Pride» ganha uma importância extra. Isto porque possibilita um melhor conhecimento, informação e consciência perante a difícil luta que os intervenientes do documentário viveram ou testemunharam. A delimitação por década acaba por ajudar a contextualizar a realidade de cada geração que, apesar de viver a mesma luta, sofreu contextos diferentes; pelo que é possível traçar uma perspetiva histórica sobre a complicada batalha que tem sido travada em prol da igualdade.

Esta é uma produção originalmente do FX. Uma das participantes é Susan Stryker, rosto familiar do também documentário «The Lady and the Dale».

 

Episódio 1 “1950s: As Pessoas Fizeram Festas”

Um olhar revelador sobre as vidas vibrantes e plenas vividas na década de 1950, no meio de um aumento acentuado dos regulamentos governamentais contra a comunidade LGBTQ+, liderados pelo Senador Joseph McCarthy,  e que deu início a uma era de perseguição sancionada pelo governo.

Episódio 2 “Anos 60: Motins e Revoluções”

Mesmo antes de Stonewall, o movimento PRIDE criou raízes nos anos 60, quando heróis menos conhecidos das comunidades marginalizada  desempenharam um papel integral no avanço do movimento. Através de ativismo e protesto, pequenos e grandes, a comunidade LGBTQ+ lutou pelos direitos, aceitação e igualdade.

Episódio 3 “1970s: A Vanguarda da Luta”

Nesta viagem pessoal, Cheryl Dunye entrelaça imagens de arquivo, testemunhos pessoais e entrevistas para mostrar como os anos 70 ajudaram a forjar um movimento nacional, desde a primeira marcha do Gay PRIDE, à ascensão de artistas como a cineasta Barbara Hammer e o poeta Audre Lorde, até ao confronto do feminismo interseccional e a contraofensiva e oposição da direita religiosa.

Episódio 4 “1980s: Underground”

Nova Iorque nos anos 80, revigorada pela revolução sexual da era anterior e pela ascensão da Frente de Libertação Gay, assistiu-se à ascensão de festas subterrâneas. Ao mesmo tempo, a epidemia de SIDA devastou a comunidade gay, uma vez que Ronald Reagan e a sua maioria se recusaram a intervir.

Episódio 5 “1990: As Guerras da Cultura”

Os anos 90 deveriam anunciar uma nova era para a comunidade LGBTQ+. Com a eleição de Bill Clinton, finalmente tiveram um aliado na Casa Branca – ou assim pensavam. As “Guerras da Cultura” estavam em pleno andamento, e estavam a ser travadas por todo o lado desde o Capitólio até às salas de cinema e igrejas. Devastaram comunidades, mas também incentivaram pessoas LGBTQ+ para criar políticas e organizações que ainda hoje lutam pela igualdade.

Episódio 6 “2000s: Y2gay”

Os anos 2000 inauguraram uma nova era de visibilidade queer onde gays e lésbicas ganharam aceitação nos principais meios de comunicação social. Mas mesmo quando membros brancos cisgéneros da comunidade LGBTQ+ encontraram um lugar na sociedade, a luta pelos direitos trans continua, e essa luta só nos dias de hoje tomou o palco principal.

 

Texto originalmente publicado aqui

 

 

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