Conversations with Friends: e depois de Normal People…

Na sequência do sucesso na adaptação de «Normal People», a HBO Max tenta repetir a fórmula de sucesso com mais uma história que tem origem num livro da irlandesa Sally Rooney. «Conversations with Friends» chega ao streaming hoje, 15.

Conversations with Friends

A simplicidade e a autenticidade narrativa por detrás das obras de Sally Rooney voltam a inspirar mais uma adaptação ao pequeno ecrã, dois anos depois. «Conversations with Friends» tem por base o livro de estreia da mesma autora de «Normal People», que conquistou os seriólicos após uma campanha bem conseguida nas livrarias. Será que a nova aposta da HBO Max tem a capacidade de repetir o feito? Os primeiros sinais levam a crer que não.

Da mesma forma que ler o livro ajuda a perceber melhor as motivações de todos os envolvidos, a verdade é que torna a audiência mais crítica do que lhe é apresentado (falo por experiência própria). Depois de ler o livro que originou esta série, é difícil encontrar na tela a profundidade explorada nas páginas, desde logo na construção de Frances (Alison Oliver), que acontece a duas velocidades. Por um lado, o leitor conhece intimamente o contexto em que a personagem se encontra e, por outro, vai percebendo como os acontecimentos com Bobbi (Sasha Lane), Melissa (Jemima Kirke) e Nick (Joe Alwyn). Não sendo necessariamente um processo demorado, é bem trabalhado e é dado acesso primordial aos acontecimentos core da trama – e como eles se precipitam. Algo que, logo à partida, torna a adaptação difícil. Mas, se resultou em «Normal People», porque não haveria de resultar agora?

Conversations with Friends

Há um erro crasso: confiar que é possível criar em pouco mais de meia hora uma relação que o livro desenvolve em várias páginas. Possivelmente perante o receio de demorar e perder o interesse da audiência, a série arrisca e apressa os acontecimentos entre Frances e os seus novos amigos, Melissa e Nick. Fica a dúvida se não teria sido mais interessante entregar logo ao espectador a premissa e então recuar, para de forma simples compor como tudo tinha acontecido, aí com uma menor exigência de situar quem vê no universo da personagem.

Frances e Bobbi são melhoras amigas e ex-namoradas, que conciliam os estudos no Trinity College com performances de poesia em bares de Dublin. É num desses espectáculos que conhecem Melissa, cuja aproximação é algo descontextualizada na série, mas é esse encontro que serve de acelerador a toda a ação. Enquanto Bobbi fica encantada com Melissa, Frances aproxima-se mais do marido desta, Nick, que é ator. É esta segunda relação que funcionará como principal catalisador de toda a história, colocando em causa o que Frances julgava saber sobre si própria e também a amizade com Bobbi.

Conversations with Friends

Embora a premissa de «Conversations with Friends» seja interessante, os episódios de meia hora, e pontualmente os próprios atores, castigam o universo criado por Sally Rooney. É inevitável que fique uma insistente sensação de que estamos perante uma história incompleta. Recebemos os acontecimentos, mas não percebemos como lá chegamos, ou de que forma as diferentes linhas narrativas vivem para lá da storyline central. Numa palavra, a série carateriza-se como “imediata”, já que a ação é tão direta e rápida que vive quase de forma unidimensional. Resta saber se os espectadores vão ter a mesma sensação, ou desvendar nas entrelinhas o fascínio que tantas alegrias deu a «Normal People».

 

Texto originalmente publicado aqui

 

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