We Own This City: poder, corrupção e a lei do mais forte

A HBO Max Portugal estreia amanhã, 26, o primeiro episódio da minissérie «We Own This City». O elenco de alto nível engrandece um argumento já de si bastante forte, inspirado em acontecimentos reais.

We Own This City

Justin Fenton, repórter do Baltimore Sun, escreveu um livro sobre a corrupção e abusos de poder no Departamento Policial de Baltimore, que agora inspira «We Own This City», uma criação de David Simon e George Pelecanos para a HBO Max. A trama arranca com um discurso de posicionamento de poder, por parte de Wayne (Jon Bernthal). Um agente que quer ser respeitado na rua tem de estar sempre numa posição para vencer, segundo ele, pelo que não pode entrar em nenhum confronto para perder. Como percebemos rapidamente, esta sobranceria é tendencialmente dirigida aos afro-americanos que por ali residem, e que são amedrontados até nas suas tarefas mais banais e quotidianas.

O discurso é difundido e perpetrado pelo Departamento, e nem os polícias afro-americanos parecem estar alerta para o problema; isto porque a situação foi, de certa forma, interiorizada e normalizada, pelo que nem as ações mais escabrosas parecem fazer soar as “sirenes”. No entanto, entra um jogador improvável: as redes sociais. Como sabemos, a capacidade de filmar e difundir com facilidade imagens de agressão policial tem revolucionado a forma como a sociedade encara as autoridades, sobretudo a nível dos Estados Unidos, não sendo preciso muito para nos recordarmos de casos que terminaram em tragédia como George Floyd ou Freddie Gray (este último ecoa ao longo da série).

We Own This City

Nicole Steele é o primeiro sinal da mudança: uma advogada envolvida na análise do comportamento policial em Baltimore. A personagem é interpretada por Wunmi Mosaku, que continua em voga após participações sólidas em «Lovecraft Country» e «Loki». Ela e a sua equipa tentam perceber a forma como a corrupção e o comportamento violento das autoridades foram passando despercebidas, e o modo como a violência sistemática tem nomes claros e passíveis de punição… A forma como isso acontece, é o fio condutor da narrativa, que desconstrói esquemas, polémicas e coloca o dedo na ferida.

Estamos perante um argumento consistente, bem enraizado e sem pudor em criticar e abrir espaço à crítica. A narrativa é interessante e traz à luz, uma vez mais, a forma como os abusos de poder e corrupção têm pautado a história mediática recente das autoridades norte-americanas. Mas onde está a origem do problema? Em que bases se apoia um sistema onde se defende a prisão em massa? Até onde pode ir alguém que se considera impune?

O elenco integra ainda outros nomes de relevo, nomeadamente Josh Charles, Don Harvey, Rob Brown e David Corenswet.

 

Texto originalmente publicado aqui

 

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