Solos: uma alegoria sobre a importância da memória

Já vi «Solos», a nova aposta sci-fi do Amazon Prime Video. Os sete episódios contam com um elenco de luxo e ficam disponíveis no streaming dia 25.

Solos

O sucesso de «Black Mirror» continua a dar cartas e a marcar as escolhas de vários streamings. O impacto da tecnologia na sociedade e as suas ameaças inspiram sete episódios de cerca de meia hora no Amazon Prime Video, que recorre a “armas” de peso para atrair a audiência para «Solos». Se o tópico sci-fi não for suficientemente cativante, o que dizer de um elenco que conta com nomes como Morgan Freeman, Helen Mirren, Uzo Aduba e Anne Hathaway, a par de talentos emergentes como Constance Wu e Anthony Mackie?

A ação acontece num futuro muito próximo onde, ainda assim, a tecnologia teve uma evolução considerável. Num dos episódios, há até a menção a um vírus que provocou o isolamento da generalidade da população, que agora mostra resistência em regressar à normalidade. A paranoia é, aliás, uma das “personagens” secundárias mais frequentes nesta antologia, que conta uma história isolada por episódio.

Solos

Tudo começa com uma introdução simples, de uma frase – como percebemos depois nada inocente –, onde a voz de Morgan Freeman lança a pergunta que inspira a storyline do episódio que vamos ver. As questões vão desde o trauma de uma memória à iminência da sua perda, tendo também sempre em atenção a solidão – como contexto e como agente da narrativa, influenciando as personagens diretamente e metaforicamente. Veja-se o caso do primeiro episódio onde, debatendo-se com a sua efemeridade, Tom (Anthony Mackie) conversa com uma imagem de si próprio; ou o feitio peculiar de Sasha (Uzo Aduba), que não sai de casa há 20 anos.

Em todos os episódios há um dilema que, de uma forma ou outra, acaba por se relacionar com a tecnologia. Esta pode ser “espectadora” da tragédia ou provocá-la, atuando sobre a rotina do protagonista. Um dos casos mais notórios é o de Peg (Helen Mirren), que participa num estudo em pleno Espaço. Aí, ao jeito de «2001: Odisseia no Espaço» (1968), tem apenas como companhia um asset de inteligência artificial (AI).

Solos

No meio do mistério, há uma certeza: todos os episódios de «Solos» levam a uma lição moral, sendo possível retirar diversas aprendizagens. A espaços, essas lições ficam em aberto e o desfecho é imaginado pelo espectador, com base na informação a que teve acesso. Falar de certo ou do errado acaba por não ser linear, pelo que nem sempre é claro se os intervenientes são heróis ou vilões na história que vivem ou contam.

«Solos» é um aglomerado de episódios sci-fi express, que concentram a trama em trechos breves e bem ritmados, com recurso frequente a monólogos de atores de topo. As histórias são simples, ainda que isso não impeça um ou outro twist menos previsível. O criador é David Weil, o mesmo de «Hunters», outra aposta da Amazon Prime Video.

 

Tom

Depois de saber que o seu tempo na Terra é limitado, Tom compra um novo produto polémico para a sua família.

Peg

Enquanto viaja no Espaço até aos confins do Universo, Peg relata os eventos que a levaram a este momento.

Jenny

Jenny está sentada numa sala de espera há muito tempo. Após perceber que fragmentos da sua memória podem estar em falta, Jenny tenta desvendar os eventos fatais que a levaram ali.

Sasha

Vinte anos depois de um evento global levar a população a isolar-se, Sasha tenta enganar a sua casa inteligente, temendo que ela a esteja a manipular para ir embora.

Leah

Uma física brilhante está obcecada por viajar no tempo. Entretanto, encontra duas personagens improváveis no caminho da sua descoberta épica.

Nera

Depois de usar um tratamento de fertilidade, Nera fica entusiasmada, pelo menos inicialmente, com o nascimento do seu filho. Mas ela rapidamente descobre que há algo incomum.

Suart

Um jovem, Otto, procura um idoso, Stuart, que sofre de demência. Otto fornece a Stuart um meio de recuperar a sua memória: implantes de memória. Mas, à medida que a memória de Stuart se regenera, começamos a questionar os motivos de Otto.

 

Texto originalmente publicado aqui

 

 

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