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Resident Alien: Harry, o alien, cada vez mais humano

O Syfy estreia daqui a pouco, pelas 22h15, a segunda temporada da série «Resident Alien». Depois de falhar na sua missão e tentar regressar ao seu planeta, Harry é obrigado a voltar à Terra.

Ao perceber que exterminar toda a população implica matar Asta (Sara Tomko), Harry (Alan Tudyk) decide abandonar a Terra de vez. O gesto, aparentemente nobre, acaba por ser inconsequente, uma vez que é obrigado a regressar quando percebe que tem Max (Judah Prehn) na nave. Após uma aterragem atribulada, Max acaba em segurança em casa, mas Harry acorda no hospital sem memória de acontecimentos recentes ou qualquer filtro. Um início de temporada completamente alucinante e um dos melhores da série até à data; é tudo tão surreal – ainda mais – que o humor de «Resident Alien» atinge um dos seus picos.

Num debate sobre a memória e o lado humano, cada vez mais presente em Harry, a série lança as peças que vão construir a narrativa da nova season. Por um lado, Ethan (Michael Cassidy) está desaparecido depois de ter sido “apontado” como o alien, enquanto Asta tenta ajudar Harry a encontrar algum equilíbrio na sua vida (e a não ser desmascarado perante a sociedade em geral). Ao mesmo tempo, as figuras principais da autoridade em Patience vão sendo colocadas neste “tabuleiro”, de forma a estarem posicionadas e prontas a atuar caso sejam chamadas à ação, seja como motor cómico ou dramático.

Um dos principais destaques da nova temporada é o ator Nathan Fillion (Castle, The Rookie), que assume em pleno a voz de um polvo “familiar” de Harry, que o avisa, inclusivamente, que os seus pares se preparam para invadir a Terra e terminar o que ele não teve capacidade de fazer. Também a atriz Alex Borstein tem uma participação especial e o pequeno Max assume um papel mais forte na condução da narrativa, apelando ao sentimento mais paternal de Harry.

«Resident Alien» é uma das comédias mais bem conseguidas da atualidade, embora repesque um tema que não é propriamente novidade. Toda a peculiaridade que serve de base à narrativa, a par do humor físico e quase ingénuo de Alan Tudyk, cria um ambiente cómodo e divertido para o espectador. Sem uma grande profundidade ou complexidade temática – que eventualmente abrandaria o ritmo ou aumentaria as expetativas/exigências em relação à premissa –, a aposta do Syfy consegue manter-se fiel a si própria mais uma vez e cria um mistério interessante para a audiência.

 

Texto originalmente publicado aqui

 

Sara Quelhas

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