Y: The Last Man, crónicas do fim dos dias

O Disney+/Star estreia dia 22 os três primeiros episódios de «Y: The Last Man». Tive acesso antecipado à série – fica a saber o que esperar.

Y — CR: Macall Polay/FX

Há uma nova adaptação da DC Comics prestes a estrear no pequeno ecrã, desta feita no Disney+/Star. Uma criação originalmente de Brian K. Vaughan e Pia Guerra, «Y: The Last Man» aborda uma realidade apocalíptica, na qual (supostamente) todos os mamíferos com cromossoma Y morreram, ainda que o título da série antecipe a sobrevivência de Yorick (Ben Schnetzer). Sem explicação para o acontecimento catastrófico e de alcance global, as mulheres sobreviventes dividem-se entre aquelas que tentam tomar as rédeas da situação e as que, revoltadas, apontam para conspiração. Tal significa que a situação de Yorick tenha de ser mascarada, já que é particularmente estranho que o único sobrevivente seja o filho da presidente dos EUA Jennifer Brown (Diane Lane).

Antes de embrenharmos na origem (com a ação a recuar depois no tempo), vemos um memorial composto por gravatas, além de uma ampla destruição e cadáveres, onde Yorick se move com um amigo “peculiar”. A sensação de perigo iminente é ainda mais acentuada quando um helicóptero em queda quase faz uma vítima mortal. A abertura prepara a audiência para a história que «Y: The Last Man» quer contar.

Ainda que a apresentação pré-Apocalipse seja rápida, conseguimos perceber os conflitos (internos e externos) estabelecidos nos diferentes setores narrativos, nomeadamente na política norte-americana, entre Jennifer e o presidente dos EUA (Paul Gross), e nas vidas pessoais de Yorick e da irmã Hero (Olivia Thirlby). Em termos de sociedade, tópicos como misoginia, cancel culture e movimentações políticas são também equacionados.

Um pouco como acontece em «Designated Survivor», uma pessoa improvável assume a presidência depois de toda a linha de sucessão terminar sem vida. Entre jogos de bastidores e revoltas consertadas, a liderança é posta em causa; além disso, as escolhas que tem de fazer (por exemplo a nível de energia ou militar) são tudo menos consensuais, até dentro do seu espaço decisório.

«Y: The Last Man» é um drama futurista e negro, com teor conspiratório, que opta pela contextualização antes de a “ação” rebentar ou de o mistério ganhar maior complexidade. Uma série muito sustentada pela atriz Diane Lane que, tal como um médio-campista acima da média, atua como “polvo” e parece estar em todo o lado. Esta é uma criação de Eliza Clark, envolvida anteriormente em projetos como «Extant», «Animal Kingdom» ou «The Killing».

 

Texto originalmente publicado aqui

 

 

Sara Quelhas

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