Somebody Somewhere: a revolução dos inadaptados

A HBO Portugal estreia amanhã, 17, «Somebody Somewhere», uma série com mão dos irmãos Duplass e Bridget Everett como protagonista e produtora executiva. Uma história sobre inadaptação e renascimento, no Kansas…

Sam (Bridget Everett, comediante e cantora) é uma quarentona sem perspetivas de futuro, amargurada pela perda recente da irmã Holly. Com uma família fraturada e um trabalho que odeia, Sam é, no início da trama, uma mulher desmotivada e em sofrimento, que desaba com relativa facilidade em «Somebody Somewhere». Ao mesmo tempo que tenta lidar com a perda, os colegas e a família, particularmente a irmã, castigam fortemente a sua autoestima e, neste jogo viciado, Sam parece destinada a contar uma narrativa dramática e triste no Kansas. Mas depressa percebemos que não é sobre isso que vamos falar.

Há um humor inteligente e perspicaz em «Somebody Somewhere», que recorre às suas personagens, os tradicionais misfits, para estabelecer uma trama de forte pendor crítico social. E cuja ação é influenciada pelo “karma”, castigando as personagens que inicialmente se apresentam como bem-sucedidas, desmascarando a ilusão que se vive na localidade. Como banda sonora da série e da própria existência do núcleo central, a música atua como catalisador de todas as reuniões e emoções, provocando a revelação do lado mais leve – e pontualmente mais profundo – das personagens com que a audiência se vai cruzando.

Para a evolução de Sam muito contribui Joel (Jeff Hiller), alguém com raízes no seu passado escolar, mas que passou totalmente despercebido. Ainda assim, e por força das circunstâncias, os dois aproximam-se e acabam por travar uma grande amizade, que abala as suas vidas e também a dos que os rodeiam. Da mesma forma, este “terramoto” narrativo tem eco nas storylines secundárias, pelo que as personagens não terminam no ponto em que se apresentaram. É uma verdadeira revolução da ação, que vai desafiando os pressupostos e a noção – dentro da ficção e fora – do que é “normal” ou mais aceitável socialmente.

Integram ainda o elenco Mike Hagerty, Mary Catherine Garrison, Danny McCarthy, Murray Hill, Jon Hudson Odom, Jane Brody, Kailey Albus, Rammel Chan e Heidi Johanningmeier, entre outros.

Texto originalmente publicado aqui

 

Sara Quelhas

Recent Posts

Especial The Morning Show

Na linha da frente da informação, «The Morning Show» expõe a luta feroz entre quem…

5 meses ago

Call My Agent Berlin: agentes no fio da navalha

Agentes em modo bombeiro: a cada cliente salvo, um novo incêndio começa. «Call My Agent…

5 meses ago

Task: quando os subúrbios viram campos de guerra

Nos subúrbios de Filadélfia, a nova série da HBO Max expõe como o crime e…

5 meses ago

Black Rabbit: o “coelho” que conduz ao abismo

Em «Black Rabbit», da Netflix, Jude Law e Jason Bateman lideram um thriller de fraternidade…

5 meses ago

Ataque ao Comboio Noturno: um thriller sobre carris

O canal TVCine Emotion estreou, no passado dia 10, «Ataque ao Comboio Noturno». A série…

5 meses ago

Porque desistimos de séries, mas ainda vemos Anatomia de Grey?

Desistir de uma série televisiva é uma decisão muito importante, ainda que muitos não o…

6 meses ago