A Roda do Tempo: Rosamund Pike em parte certa…

Rosamund Pike é a estrela mais brilhante na nova série de fantasia «A Roda do Tempo», baseada na obra de Robert Jordan. A mais recente aposta do Amazon Prime Video já tem uma segunda temporada garantida.

A correr atrás do prejuízo, com outros serviços de streaming mais bem fixados no mercado – desde logo no género de fantasia – o Amazon Prime Video lançou recentemente a série «A Roda do Tempo», protagonizada por Rosamund Pike, nomeada ao Óscar por «Em Parte Incerta» (2014). A atriz dá vida a Moiraine, uma figura de relevo nas poderosas feiticeiras da ordem Aes Sedai, que viaja até Two Rivers à procura de respostas para uma profecia. Lá, junta-se a um grupo de jovens aparentemente comuns, acreditando que um deles é a reencarnação de um herói prometido, que vai salvar a população da guerra.

A trama ganha logo nos primeiros instantes, ao fazer algo que tanto se pede e nem sempre acontece: dá contexto e coloca o espectador dentro da ação. A audiência é uma presença consciente, informada, e consegue interpretar depois os acontecimentos que se multiplicam na tela. Uma opção que nem sempre é seguida pelas séries de fantasia que, pela sua especificidade, se tornam então extremamente difíceis de perceber e acompanhar. Sobretudo para o público que não leu os livros ou obras predecessoras. Mas a nota positiva é seguida de uma outra, menos otimista: além de Pike, não é fácil encontrar no elenco alguém capaz de preencher o espaço e criar uma empatia imediata com quem vê (nem Daniel Henney tem uma presença particularmente impactante). Por sua vez, a relativamente baixa qualidade dos efeitos visuais desculpa-se, já que se tem de poupar nalgum lado para pagar à protagonista…

Do grupo de jovens que se junta a Moiraine destacam-se a promissora Egwene (Madeleine Madden) e o questionável Mat (Barney Harris), enquanto os restantes parecem um pouco mais apáticos. O ritmo acelerado da ação leva a que a chegada da feiticeira seja verdadeiramente arrebatadora, seguindo-se um ataque inesperado das forças do Mal, que seguem também a profecia para tentar travar a ascensão de um opositor forte. As cenas de ação são aceitáveis, apesar de pouco inovadoras e estereotipadas, valendo pela carga narrativa que acarretam, e pelas consequências que trazem depois ao desenvolvimento de «A Roda do Tempo».

É difícil marcar a diferença quando somos inundados de séries de fantasia a cada nova leva de séries. É também exigente pegar num universo tão querido pelo público, nomeadamente quando não se segue esse universo à risca e se alteram as dinâmicas para tornar a história mais televisiva. Diz a experiência que esta é uma série para visitar sem expetativas, com um certo benefício da dúvida, e sem preconceitos pelo género. A viagem, já se sabe, é individual e não agrada a todos. No entanto, a chegada de Pike às séries mainstream merece, pelo menos, uma oportunidade.

 

Texto originalmente publicado aqui

 

Sara Quelhas

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