A Misteriosa Sociedade Benedict vs. as “fake news”

Ficam disponíveis hoje, no Disney+, os dois primeiros episódios de «A Misteriosa Sociedade Benedict». A história de aventura é protagonizada por um conjunto peculiar de crianças órfãs, em mais um bom trabalho de Tony Hale. Descobre o que tenho a dizer sobre a nova aposta do streaming.

A saga A Misteriosa Sociedade Benedict, assinada por Treton Lee Stewart, tem a sua adaptação ao streaming em estreia hoje no Disney+. A série foca a história de um grupo de órfãos que, na sequência de uma série de testes exigentes, acaba por colaborar no rebuscado plano de Mr. Benedict (Tony Hale). A contextualização do que está a acontecer, nomeadamente ao nível das notícias que atormentam a população, é feita logo a abrir e com um voz-off que procura estabelecer a missão da narrativa. Toda a população se encontra ansiosa e nervosa por causa da Emergência, o estado permanente de dramatismo e risco, que é alimentado pelas notícias que povoam os jornais e a televisão.

A importância da verdade é um tema pertinente para a atualidade da audiência, sobretudo numa realidade populada de fake news, onde a pluralidade de sítios de informação leva, muitas vezes, à partilha e divulgação de notícias sem fundamento. Isso é também consequência da necessidade que os meios sentem em serem os primeiros a noticiar algo, ou de as pessoas não estarem alerta para a “ameaça” do meio (não noticioso) a que dão eco nas suas próprias redes pessoais. O problema é complexo, mas em «A Misteriosa Sociedade Benedict», cujo primeiro livro chegou às bancas em 2008, a questão é muito mais abstrata e quase conspiratória.

Reynie Muldoon (Mystic Inscho), Sticky Washinton (Seth Carr), Kate Wetherall (Emmy DeOliveira) e Constance Contraire (Marta Kessler) são o quarteto principal da ação, com Benedict e companhia nas sombras. A combinação do conjunto esconde alguns segredos, mas o primeiro episódio acaba por resultar muito bem em termos de dinâmica e apresentação das personagens. A contracena de adultos é composta por um grupo forte, onde além de Tony Hale se apresentam Kristen Schaal, MaameYaa Boafo e Ryan Hurst. A facilidade de diálogo e a comédia natural beneficiam sobretudo o primeiro episódio. Já o segundo episódio, a que também tive acesso, é um pouco diferente e mais lento, algo natural perante o arranque “oficial” da ação de «A Misteriosa Sociedade Benedict».

É difícil colocar a nova série numa “caixa”, ainda que seja normal encontrar parecenças com outras apostas de elencos juvenis ou organizações de caraterísticas peculiares (aqui aparentemente sem poderes). Isto porque «A Misteriosa Sociedade Benedict» pode ir para qualquer lado e, mesmo que caia, a espaços, em clichés, a verdade é que o seu elenco, principalmente o adulto, tem a capacidade de criar momentos inesperados e repletos de mistérios – o que, a combinar com o humor, pode ser a receita para o sucesso.

Ainda assim, é cedo para avaliar a trama e o seu potencial. O elenco infantil tem alguns traços estereotipados, mas será a ação desenvolvida para o pequeno ecrã – ao longo da temporada – que vai determinar se «A Misteriosa Sociedade Benedict» veio para ficar e se pode afirmar como mais uma adaptação literária bem-sucedida do streaming.

Texto originalmente publicado aqui

 

 

Sara Quelhas

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