She Hulk: Marvel, dividir depois de reinar

«She Hulk» já está disponível no Disney+ há algumas semanas e não conseguiu, para já, conquistar a audiência. A fase 4 do Marvel Cinematic Universe (MCU) tem sido pautada pelas reações pouco efusivas aos “novos” super-heróis (Eternals, Moon Knight), ainda que “antigos” para quem acompanha as comics.

O primeiro episódio de «She Hulk» trouxe algum otimismo. Depois de grandes críticas às primeiras imagens com o resultado dos efeitos visuais que transformavam Tatiana Maslany em She Hulk, a fandom parecia mais convencida, pelo menos parcialmente, em relação à série. Para isso muito contribuiu a presença de Mark Ruffalo como Bruce Banner, bem como algumas gags e referências a outras incursões do universo Marvel, nomeadamente a existência de “outros Hulks” antes da entrada de Mark. No entanto, uma opção não agradou à generalidade do público desde início: o quebrar da “quarta parede”, que levava Jennifer Walters e falar diretamente com a audiência, por vezes até para deixar algumas farpas a intervenientes dentro e fora das telas.

«She Hulk» não se leva a sério, querendo embarcar na nova onda de séries e filmes, onde se evidencia Deadpool, que primam pela diversão e argumento fora da caixa, com muita interação e piadas dentro da ação. Mas, como bem sabemos, nem sempre a repetição da fórmula garante os mesmos resultados, o que tem tido um impacto claro na receção por parte dos fãs e ávidos seguidores do MCU. Uma super-heroína advogada que rejeita, à partida, a sua nova forma, mas que depois se vê forçada a integrá-la na sua própria profissão? A concretização, em TV, de uma ideia já de si audaz não tem convencido.

A atriz Tatiana Maslany tornou-se um fenómeno em «Orphan Black», uma série menos popular, onde a sua interpretação segura de diferentes personagens resultou num Emmy. É certo que depois não concretizou o sucesso que muitos anunciavam, mas nem uma aposta da Marvel parece capaz de lhe mudar a sorte. É que as críticas ao formato e execução da série do Disney+ são tantas, que pouco se fala efetivamente de Tatiana ou de outros atores.

O streaming permitiu à gigante marca que é a Disney criar novas histórias dentro dos seus maiores sucessos do grande ecrã. E se, no início, séries como «The Mandalorian» e «Loki» mostraram resultados, a verdade é que em 2022 nem tudo tem sido rosas para este universo fantástico. Há menos qualidade ou mais exigência por parte do público? Será que a ligação entre histórias, no pequeno e grande ecrã, vai forçar os fãs a ver até as séries/filmes que não gostam? Ou um certo adormecimento vai prejudicar os êxitos megalómanos que a Marvel tem assegurado? Os próximos anos vão trazer, naturalmente, mais clareza.

 

Texto originalmente publicado aqui

 

Sara Quelhas

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